Nossos Escritos

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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

TRILOGIA ‘AMORES PERFEITOS”:AVENTURA,PAIXÃO, DESAMOR

DESAMOR


Pela forma como ele coloca a chave na porta, ela pressente o porre - bebeu, mais uma vez. Conta até três, junta o dedo médio ao indicador para controlar a irritação mas não consegue se segurar quando ele entra em casa, a sobrancelha arqueada, o cheiro de uísque...

- Saí com o pessoal da empresa, nem deu prá avisar... já jantei e você?

O jantar fora é o de menos, pode representar até um alivio em certas ocasiões. O pior é agüentar o sexo forçado,o sono pesado, o ronco... Não dá mais para disfarçar, essa união chegou ao fim. As fotos recentes aí estão, a documentar como estão tristes, um ao lado do outro. Quatro anos apenas de união e ela se dá conta que, felizmente, não vai durar até que a morte os separe. Tenta voltar o pensamento ao passado, quer lembrar o que a atraiu nesse homem, mas em vão. Agora, é pensar na melhor forma de chegar a ele e dizer: - não dá mais, acabou, vamos parar por aqui...

Ele faz promessas. Vai parar de beber, vai se fixar num emprego, vai ganhar mais, vai procurar uma terapia, vai fazê-la feliz Ela quer acreditar, dá um tempo, mas quando ele chega da análise e, com arrogância, diz que a psicanalista não encontrou nada de anormal em seu comportamento, ela percebe que então quem tem problemas é ela, por querer acreditar no amor eterno, na importância da família, na cumplicidade, nos objetivos de vida.

- Quero férias conjugais- ela arrisca numa noite em que, aparentemente, ele está sóbrio.

Ele disfarça o mal estar, tenta um carinho, força um beijo, refaz as promessas. Ela olha o companheiro com pena mas permanece irredutível.

- É melhor assim, vamos nos dar um tempo. Dois meses, que tal?

Ele choraminga mais um pouco, alega não ter nem aonde ir, como vai ficar tudo, como é que os pais vão reagir, todos acham que eles estão numa boa, que ele tem um emprego fixo, que está longe da bebida. Ela é gentil. Arruma uma maleta para ele , se propõe a procurar um hotel, um flat, ele recusa, indignado, não, pode deixar que faz tudo sozinho.

Quando ele, enfim, sai, ela tranca a porta a sete chaves, tira o telefone do gancho, coloca no copo uma última dose de uísque que sobrou na garrafa e desaba...



Eliana

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